DISSERTAÇÃO DE: EFÉSIOS 1. 3 – 23
No referido texto há pontos que diz respeito a varias e importantes doutrinas do cristianismo, mas decidi optar por um ponto que a meu ver, o texto informa mais. Não vou dar um título a esse comentário, pois creio que no desenvolvimento deste, ficará claro o que quero expressar ou a verdade bíblica que quero mostrar.
No versículo 3, Paulo diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais EM CRISTO”. Partindo do pressuposto que só recebemos tais bênçãos espirituais na pessoa de Jesus Cristo como nos diz o texto, logo quem não vive o evangelho de Cristo não usufrui delas. Correto? Pois bem, devemos ainda notar que o propósito imediato de Paulo ao escrever esta carta esta declarado em Ef. 1. 15-17, que em oração, pedia para que seus leitores crescessem na fé, no amor, na sabedoria e na revelação de Deus. Já de inicio percebemos que o homem possui condições através da oração de mudar trajetórias de vidas inteiras. Somos livres para escolhermos o que achamos ser o melhor para nós. A oração é um forte argumento a favor do livre arbítrio, pois se não fossemos livres do que adiantaria as orações do Apostolo Paulo aos Efésios bem como as orações de todos os apóstolos. Há ainda, o próprio Jesus ensinando-nos a orar.
“Como também nos elegeu NELE” (1:4-5). Deus elege ou reprova com base na fé ou na incredulidade em Jesus Cristo. O texto claramente nos mostra que somos eleitos “Nele”, em Jesus. É como se estivéssemos em um grande barco, em quanto estivermos a bordo do barco somos predestinados ou eleitos para céu, mas se decidirmos sair então não há mais a possibilidade sermos eleitos nele, pois o abandonamos, bem como o seu sacrifício na cruz foi negado. Se somos eleitos NELE, logo temos que estar NELE por meio da obediência a sua palavra.
Eleição é a conseqüência da presciência de Deus. Por definição, os ELEITOS são aqueles que Deus infalivelmente prevê que serão salvos (Rm 8,28-30). Por esta definição, é impossível que o eleito se perca, pois Deus sabe previamente quem não se perderá. Mas desde que a eleição depende da presciência infalível de Deus, nós não temos meios de saber se estamos ou não nesta categoria - Deus conhece os Seus eleitos, mas nós não. Os eleitos são predestinados no sentido de que Deus sabe, e assim permite pela graça, os que serão salvos.
"Em amor nos predestinou para ELE, para a adoção dos filhos" (1:4-5). Os cristãos são filhos de Deus por adoção. A adoção é sempre questão de escolha pessoal, enquanto o filho que vem pela natureza tem que ser aceito quando vem. Deus "predestinou" alguns deles para adoção. Ele determinou desde antes do começo do mundo que adotaria todos os que estão em Cristo. A adoção por Deus não é apenas uma adoção por acaso. É uma escolha feita "por meio de Jesus Cristo". Se respondermos em obediência ao evangelho de seu Filho, Deus nos adota. Mas se não permanecermos está escrito que: "Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, como o ramo, e secará; tais ramos são apanhados, lançados no fogo e se queimam" (Jo 15.6). O pronome “Se” sugere duvida, ou seja, há possibilidade de permanecermos fiéis ou não, tudo é questão de escolha própria.
Deus não poderia ter predestinado o que obstrui e vai contra a sua finalidade na criação, como também a nós. Se Deus tivesse predestinado a queda de Lúcifer e de Adão ou de qualquer outro personagem bíblico Ele de hipótese alguma poderia ter lamentado o mal resultado de sua própria predeterminação à criação. Pois é muito conhecido que Deus, ao ver o homem decaído, arrependeu-se de tê-lo feito na terra: “Então se arrependeu o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração” (Gn 6. 6). Posteriormente vendo Deus a deslealdade de Saul, arrependeu-se de tê-lo feito rei: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras. Então Samuel se contristou, e toda a noite clamou ao SENHOR” (1 Sm. 15. 11).
Isto demonstra que estes e outros acontecimentos similares não foram resultado da predestinação de Deus. Estes maus resultados ocorreram e ocorrem por causa primaria da falha do homem em cumprir sua porção de responsabilidade em cumprir as ordens da palavra de Deus. A parte “b” desse versículo diz: “... porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras”.
Há ainda uma fala maravilhosa do Senhor Jesus: "Ele dará a cada um segundo as suas obras." Se as obras de cada um já estivessem determinadas de antemão, que estaria então recebendo essa pessoa, se o que fez não foi por vontade própria?
Perguntaram a Jesus qual era o “Grande Mandamento da Lei”. Sua resposta coloca o fundamento para a obediência a todos os mandamentos de Deus: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento” (Mateus 22:36-38). Como disse anteriormente Deus não poderia ter predestinado o que obstrui suas ordens. Ele ordenou que nós o amassemos. Será que Ele caiu em contradição? Essa “lei” não é a lei de Moisés como alguns podem pensar, mas uma ordem “lei” Divina para nós.

Nenhum comentário:
Postar um comentário